Deixa o diabo dar o toque
- Daiane Raissa de Souza
- 12 de jan. de 2023
- 2 min de leitura

Eu penso demais. Sempre pensei
E comecei a escrever por causa disso
Quando eu era mais nova e os pensamentos começavam a ficar acelerados, o peito apertava e as emoções estavam a flor da pele, eu escrevia, escrevia páginas e mais páginas. As vezes eu queimava tudo, mas eu escrevia e era tão bom, eu amava a sensação do peso que saía de mim. E eu apreciava o que eu tinha escrito, porque eu sempre admirei a beleza das palavras e o poder que elas tem.
Mas aí comecei escrever para vestibular, e precisava colocar minha escrita em caixinhas, caixinhas de receita de bolo, tinha jeito certo de escrever, e não estou falando apenas de gramatica obviamente.
Certa vez eu tirei 1 na redação que fiz no cursinho, já tirei 3, e por aí vai. Aquilo para mim era frustrante, um insulto, uma pedra no meu orgulho.
Mas tinha que superar e aceitar que tem jeito certo de escrever para determinados públicos, o que é aceitável.
Mas depois a gente cresce, e as coisas que nos rodeiam e rodeiam nossa mente começam a carregar um teor um pouco mais pesado, ou a gente começa se importar demais com as consequências ...
Quando eu era adolescente eu também tinha minhas críticas sobre a sociedade, meus desconfortos em relação a família, eu também tinha pensamentos sombrios,
Eu também deseja pessoas, boas pessoas, pessoas más, pessoas que não podiam ser desejadas.
Quando eu era adolescente eu já tinha ambições, eu já tinha frustrações, eu já tinha raiva.
Mas quando se é adolescente as pessoas não te notarem é uma benção as vezes.
E quando notam que você escreve coisas, elas se surpreende, dizem que você escreve bem ou só ficam preocupadas e querem “te ajudar”, te dar conselhos, etc.
Mas e se uma mulher de 24 anos começar escrever suas frustrações aqui em relação a família aqui ?
E se uma mulher de 24 anos começar escrever aqui sobre suas crises de identidade mesmo com todas as experiencias e certezas de quem é em Cristo, de quem é como mulher etc. E se mesmo assim ela tem muitas crises de identidade?
E se essa mulher começasse expor seus desejos aqui, se ela não tivesse filtros e nem medo de falar por quem e como já sentiu desejos por algumas pessoas.
As pessoas não olham da mesma forma, não leem da mesma forma.
As gente luta para sair, para sair, mas ainda está tão preso na cultura, na sociedade, no julgamento, preso em nós mesmos.
Será que não estamos prontos para a verdade?
Será que não temos capacidade de conviver com ela? Será que a verdade nos corrompe ?
Uma vez um professor me disse uma frase que eu nunca mais esqueci, e eu já usei ela por aqui.
Um professor me disse “deixa o diabo dar o toque”, ele disse isso no sentido de se permitir questionar, e usamos a imagem do diabo porque se permitir questionar as vezes é visto como pecado, como algo errado.
Mas será que essa frase não se encaixaria no jardim do Eden? Será que deixar o diabo dar o toque não seria deixar a serpente nos oferecer o fruto que Deus sabia que causaria uma confusão danada? Será que estamos prontos para isso ? Para conhecimento do bem e do mal ?
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